Em um dos momentos mais simbólicos da COP30, realizada pela primeira vez no coração da Amazônia, as entidades que lideram o setor hidroviário brasileiro — ABANI, ADECON, AMPORT, ATP e FENOP — uniram suas vozes para lançar a Carta ao Mundo. Mais do que um documento, trata-se de um manifesto estratégico que reposiciona a Navegação Interior no centro do debate climático, econômico e social do país.
O palco não poderia ser mais significativo: Belém, capital de um território em que os rios são mais que geografia, são identidade, mobilidade, cultura e sobrevivência. Durante o evento Diálogos Hidroviáveis na COP30, as instituições apresentaram ao planeta uma verdade que o Brasil conhece desde sempre, mas que agora ganha relevância global: os rios brasileiros constituem algumas das mais potentes soluções naturais para um futuro de baixa emissão.
A carta evidencia que a Navegação Interior não é apenas um modal logístico; é uma oportunidade histórica. Ela reduz drasticamente emissões, amplia competitividade, diminui custos, integra comunidades isoladas e fortalece cadeias econômicas inteiras, do agronegócio à indústria, passando pela circulação de passageiros. Em pleno cenário de emergência climática, ignorar essa rota seria desperdiçar uma das maiores vantagens estratégicas do país.
Mas o documento vai além da defesa do modal. Ele faz um chamado incisivo: é preciso investir, em infraestrutura moderna e resiliente, em dragagem sustentável, em sinalização adequada, em portos preparados para passageiros, em inovação, em embarcações híbridas e elétricas, em biocombustíveis capazes de abrir caminho para a neutralidade de emissões. A carta é, antes de tudo, uma convocação à ação.
Para o presidente da ABANI, José Rebelo III, o momento é histórico:
“A Navegação Interior representa uma solução real para descarbonizar o transporte e impulsionar o desenvolvimento sustentável. O Brasil tem nos rios um patrimônio estratégico que o mundo precisa reconhecer. Agora, é hora de transformar potencial em ação!”
A COP30 simboliza a urgência das escolhas que moldarão as próximas décadas. E, entre essas escolhas, o Brasil apresenta ao mundo sua contribuição singular: a força das águas interiores. Não apenas como um modal de transporte, mas como um componente essencial da transição ecológica global.
A Navegação Interior não pertence ao passado, ela é o presente e será o futuro.
E é este futuro que o Brasil, por meio da Carta ao Mundo, convida o planeta a construir juntos.
Rios que movem um novo tempo. Rios que movem o Brasil.



